A Busca Pela Profundidade em um Mundo de Superfície
Recentemente, um cliente me fez uma pergunta que resume o espírito da nossa era:
“Quanto tempo leva para o branding dar retorno financeiro?”
Não o julguei. Vivemos em um mundo onde até relacionamentos são medidos em likes, então é natural que queiramos métricas rápidas para tudo.
Mas essa pergunta carrega um problema maior:
Estamos confundindo branding com propaganda.
Por Que o Branding Virou “O Parente Chato” do Marketing?
A internet nos ensinou que tudo pode ser resolvido com um passo a passo.
“7 dias para aprender inglês!
“3 dicas para vender mais sem esforço!”
Só que branding não se encaixa nessa lógica.
Ele é o oposto do instantâneo.
É como comparar fast food com um jantar de 5 pratos: um resolve a fome, o outro cria memórias.
O problema das promessas superficiais
Elas até geram curtidas, mas não geram conexão.
E conexão é o que faz uma pessoa escolher você 10 vezes em vez do concorrente que é 10% mais barato.
O Mito do “Branding = Logo + Cores Bonitinhas”
Já vi empresas gastarem rios de dinheiro com designers talentosos para criar logos impecáveis…
…e continuarem tratando funcionários como custo, clientes como números e valores como enfeite de reunião.
Isso não é branding. É maquiagem.
Branding de verdade começa com perguntas incômodas:
- O que sua marca faria se o lucro não fosse a prioridade?
- Que problema você resolve no mundo além de vender seu produto?
- O que seus clientes sentem (não pensam) quando interagem com você?
Se as respostas forem vagas, não adianta ter o logo mais moderno do mercado.
O Que Acontece Quando Você Escolhe a Profundidade
Há dois anos, trabalhei com uma marca de moda que queria “ser a Apple do seu setor”.
Descobrimos que ela não precisava ser a Apple.
Precisava ser ela mesma: uma marca que nascia em uma comunidade costureira do Nordeste, com histórias de resiliência e inclusão.
O resultado?
- Deixaram de copiar “o que dá certo nos EUA”.
- Abraçaram a narrativa das costureiras (até criando etiquetas com seus nomes).
- Triplicaram as vendas em 18 meses.
Não foi rápido. Não foi fácil.
Foi verdadeiro.
Para Onde Você Quer Ir?Se você está lendo isso e pensando “mas não tenho tempo para profundidade”, eu entendo.
Só responda com sinceridade:
- Sua marca será relevante daqui a 5 anos?
- Seus clientes defendem você quando algo dá errado?
- Seu time se orgulha do que faz?
Se as respostas forem “não”, talvez seja hora de repensar a pressa.
Branding não é um gasto. É um legado
E legados, como você sabe, não se constroem com atalhos.